Shrek para sempre é metáfora de uma franquia em crise
Quando foi lançado, em 2001, Shrek marcou a história das animações. Não só pela alta qualidade de sua computação gráfica, mas, principalmente, pela adoção de um humor politicamente incorreto e absolutamente inovador.
Quase dez anos depois e duas sequências lançadas, Shrek volta às telas em sua última versão, agora em 3D. O filme chega com a missão de resgatar sua reputação depois da péssima performance das sequências Shrek 2 e Shrek Terceiro. Na trama, o herói verde está enfadado com os rumos que sua vida tomou. Filhos, rotina e desconstrução do próprio Eu. Agora ele quer virar a mesa e voltar a ser o Ogro mal-educado e escatológico que lhe deram fama.
Para isso, assina um contrato com o duende Rumpelstiltskin e acaba ganhando um dia de ogro solteiro, sem filhos e totalmente livre em uma realidade paralela.
A história parece ser uma metáfora da franquia nos cinemas, um resumo do que o personagem se tornou ao longo do tempo: uma figura desconectada de suas origens. O esforço para se redimir, porém, é infrutífero. Primeiro, porque as ferramentas para contar essa história não ajudam a diferenciar este longa de uma animação qualquer. São flashbacks cansativos e estrutura narrativa mais que manjadas.
Segundo, porque o filme, como seus antecessores, não consegue retomar a pegada pop e as tiradas ácidas presentes no início da série. O fracasso fica mais evidente no que diz respeito ao aspecto técnico. Depois de quatro filmes, cenários e efeitos não conseguem repetir o mesmo impacto. Tudo parece uma enorme reprise. Até mesmo os efeitos em 3D se perdem em meio a tanta mesmice. O que fica é a sensação de uma despedida melancólica e a certeza de que Shrek e seus fãs mereciam muito mais.
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